O Cruzeiro é hoje um clube do mundo, com vários títulos internacionais e participações em torneios em todos os continentes. Essa história de sucesso fora do Brasil começou na Venezuela, há 43 anos, com a disputa do primeiro jogo pela Copa Libertadores.
É neste mesmo solo que o Cruzeiro joga esta semana, contra o Deportivo Itália, clube que também enfrentou na edição inédita de 1967 com os craques campeões da Taça Brasil no ano anterior.
Nesse intervalo de mais de quatro décadas entre o primeiro e o próximo jogo pela Copa Libertadores, o futebol venezuelano evoluiu muito, profissionalizou-se e passou a disputar a preferência do público local com o beisebol, o basquete, o boxe e o vôlei.
O ex-atacante Evaldo esteve com o Cruzeiro em sua primeira viagem internacional para enfrentar o Deportivo Galícia e o Deportivo Itália, pela etapa inicial da Libertadores de 1967, e foi autor do primeiro gol celeste no exterior, logo na estreia.
”Vencemos o Galícia por 1 a 0 no primeiro jogo e fiz o gol. Na época, ninguém dava importância para isso. O importante era a alegria de jogar, a satisfação de estar entre os vários craques. Não passava pela cabeça de ninguém que aquele jogo marcaria por ser o primeiro da história do Cruzeiro fora do Brasil”, disse Evaldo ao Superesportes.
Se em 1967 o futebol da Venezuela dava seus primeiros passos, com clubes basicamente criados pelas colônias da Espanha e da Itália, o Cruzeiro arrancou definitivamente para se tornar um clube mundial.
”Até ganhar a Taça Brasil de 1966 e ir para a Libertadores de 1967, o Cruzeiro era um clube em formação. Era uma torcida pequena, era um time sem ídolos no cenário brasileiro, mas tinha os craques Tostão e Dirceu. Daí pra frente, fez um time que começou a galgar, a ganhar. Não tínhamos a noção da importância. O Cruzeiro era como se fosse um bom time amador. A gente se divertia no campo”, conta Evaldo.
Os primeiros jogos na Venezuela foram marcados por invasões de campo pacíficas. O estádio Olímpico já pertencia à Universidade Central e os estudantes adentravam o gramado em sinal de protesto contra o governo. “Ninguém estava interessado nos jogos. Lá eles não queriam nem saber de futebol. Os clubes eram ligados à colônias estrangeiras. Então, os universitários invadiam o gramado antes e durante a partida para chamar a atenção, só em sinal de protesto. Mas não agrediam ninguém. A polícia comparecia, mas eles saiam pacificamente e o jogo recomeçava”, lembra.
Orlando Fantoni no comando do Deportivo Itália
Assim como o Cruzeiro, o Deportivo Itália foi fundado pela colônia italiana, em 18 de agosto de 1948. Por terem interesse na massificação do futebol na Venezuela, os dirigentes buscavam jogadores e treinadores estrangeiros.
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| Euler Junior/Estado de Minas |
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| Evaldo marcou primeiro gol do Cruzeiro na Copa Libertadores, em 1967, e encerrou carreira no Deportivo Itália, em 1977 |
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O encarregado de dirigir o Deportivo Itália na Libertadores de 1967, contra o Cruzeiro, foi Orlando Fantoni. Filho de italianos e natural Belo Horizonte, ele atuou pelo clube mineiro entre 1932 e 49 como centroavante e fez 84 gols.
Mas o "cruzeirense" Orlando não foi capaz de surpreender o Cruzeiro na competição. Os mineiros venceram por 3 a 0 em Caracas, com gols de Evaldo e Tostão (2), e por 4 a 0 no Mineirão, com gols de Natal (2), Piazza e Evaldo.
Irmão caçula dos também jogadores Niginho e Ninão, que fizeram história no Palestra Itália, Orlando Fantoni assumiu o Cruzeiro no fim de 67.
O mesmo Orlando Fantoni indicou os cruzeirenses Evaldo e Natal para defender o Deportivo Itália em 1977, no encerramento da carreira de ambos. (UAI)
Fichas dos dois únicos jogos entre Cruzeiro e Deportivo Itália:
Dados do Almanaque do Cruzeiro, de Henrique Ribeiro
DEPORTIVO ITALIA 0 X 3 CRUZEIRO
Deportivo Itália
Fazzano, Massinha, Nésio, Vicente, Tenório, Elmo, Mendoza, Nitti, Alves, Dirceu, Caixa. Técnico: Orlando Fantoni.
Cruzeiro
Raul; Pedro Paulo, William, Procópio, Neco, Piazza, Dirceu Lopes, Natal (Wilson Almeida), Tostão, Evaldo, Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira.
Motivo: 1ª fase da Copa Libertadores
Data: 22/02/1967
Estádio: Olímpico Universitário
Cidade: Caracas, Venezuela
Público: 11.000
Renda: $ 20.000,00
Árbitro: Jayme Amor (Chile)
Gols: Evaldo, Tostão (2)
CRUZEIRO 4 X 0 DEPORTIVO ITÁLIA
Cruzeiro
Raul; Pedro Paulo, Celton, Procópio, Dawson, Piazza, Dirceu Lopes (Zé Carlos), Natal, Evaldo, Tostão, Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira.
Deportivo Itália
Fazzano, Massinha, Nésio, Vicente, Tenório, Mendoza, Elmo (Nino), Zezinho, Tacoronte, Dirceu, Caixa. Técnico Orlando Fantoni.
Motivo: 1ª fase da Copa Libertadores
Data: 20/03/1967
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte
Público: 4.896
Renda: $10,189,00
Árbitro: Adolfo Reginato (Chile)
Gols: Piazza (p), Vicente, Natal
Os primeiros jogos do Cruzeiro fora do Brasil:
Jogos de ida e volta contra os venezuelanos
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COPA LIBERTADORES DE 1967
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| JOGO |
DATA |
GOLS |
| Dep. Galícia 0 x 1 Cruzeiro |
19/02 |
Evaldo |
| Dep. Itália 0 x 3 Cruzeiro |
22/02 |
Evaldo, Tostão (2) |
| Cruzeiro 3 x 1 Dep. Galícia |
18/03 |
Zé Carlos, Tostão (2) |
| Cruzeiro 4 x 0 Dep. Itália |
20/03 |
Natal (2), Piazza, Evaldo |
UAI